1° ATO — O DESCOBRIMENTO

By Delminda Silveira de Sousa

“— Navegador ilustre, ó bravo lusitano

Que perlustraste, audaz, o temeroso oceano,

Ao ignoto arrancando esta formosa terra,

Ante essa maravilha os lábios teus descerra,

Dize-me, ó bravo, dize o belo nome ideal

Com que hás de apresentá-lo ao rei de Portugal,

Pois conhecê-lo deve a Universal História.

E registrá-lo aqui, — penhor da lusa glória.”

— Para honra de Deus e nova glória

Da fulgurante lusitana história,

“Por mares nunca dantes navegados”

Rota seguimos à mercê dos Fados.

Um dia... Oh! venturoso e fausto dia!

Ao ocidente, longe, aparecia

De uma montanha a leve sombra, incerta;

O marujo da gávea, sempre alerta,

Não mais pôde conter no coração

O grito de alegria e gratidão:

— Terra! Terra!, bradou; e quando a brisa

Que os ares corta e a flor das águas fresa,

O branco véu das brumas dissipou,

Esta formosa terra se mostrou!

Que nome lhe hei de dar?... si a nomeasse

Terra de Vera Cruz, ou si a chamasse

— de Santa Cruz, é certo que honraria

Da Cruz bendita o memorável dia.

Porém, vede esta mata senhoril

Por Deus composta só de pau-brasil,

— Madeira que dá tinta preciosa

Cor do sangue que é vida esperançosa!

— Brasil eu chamo a bela região

Que a forma tem gentil dum coração!

Sim; Brasil seja! Entanto adormecido

Ele vegeta aqui, desconhecido,

Inculto... Oh! vamos despertá-lo,

E, pela História, ao mundo apresentá-lo.

Brasil, desperta,

A voz escuta

Que do trabalho

Te chama à luta.

Brasil, és forte,

Vem, pressuroso:

— Serás amado,

Serás ditoso!

De Portugal

A mão te estende,

Seu gesto amigo,

Brasil, atende!

Brasil, avante!

Na grande História

Verás teu nome

Brilhar de glória!