25 de março

By João da Cruz e Sousa

Bem como uma cabeça inteiramente nua

De sonhos e pensar, de arroubos e de luzes,

O sol de surpreso esconde-se, recua,

Na órbita traçada — de fogo dos obuses.

Da enérgica batalha estoica do Direito

Desaba a escravatura — a lei cujos fossos

Se ergue a consciência — e a onda em mil destroços

Resvala e tomba e cai o branco preconceito.

E o Novo Continente, ao largo e grande esforço

De gerações de heróis — presentes pelo dorso

À rubra luz da glória — enquanto voa e zumbe.

O inseto do terror, a treva que amortalha,

As lágrimas do Rei e os bravos da canalha,

O velho escravagismo estéril que sucumbe.