4° ATO: INDEPENDÊNCIA

By Delminda Silveira de Sousa

“Liberdade formosa! Ó meiga Liberdade.

Que nos meus sonhos vens, como doce claridade,

De uma cruel tristeza a nuvem dissipar,

Virgem do meu amor, Visão do meu Cismar,

Escuta de minh’alma a queixa d’amargura

E dá-me lenitivo a essa mágoa dura!

Eu que sou livre e grande, eu que sou forte e bravo;

Como fui reduzido à condição d’escravo?...

Não! — Eu quero ser livre! Eu quero, entre as nações,

Ter honroso lugar, longe destas prisões.

Embora, para tanto, arranque-me do peito

Este meu coração em mil pedaços feito!”

“És livre, és bravo! Oh, sim! Terás nobre vitória

Vencendo a humilhação desta existência inglória!

Sacode o jugo: avante! Ao sol da Independência,

Não mais te oprimirá iníqua prepotência!

Não pode escravo ser o sol alvissareiro

Que vê brilhar no Céu o rútilo Cruzeiro!

Eia! Levanta a fronte, é tempo, enfim, de agir!

A glória já te acena; há louros no porvir!

Toma a livre Bandeira, ergue, altaneiro e forte,

O brado triunfal: — Independência ou Morte!”

“Brasil! — eis a coroa imarcessível

Que é d’heróis galardão imperecível!

A glória ta oferece em recompensa

Ao valor teu, à tua força imensa

Na conquista sublime gloriosa.

Da independência tua, venturosa!

Deixa que a fronte soberana, altiva

Cinja-te a coroa eternamente viva.

Dos louros imortais da tua glória,

A fulgirem nas páginas da História!

— Salve, Brasil! — Pátria de Amor e Luz,

Terra gentil sagrada pela Cruz!

Oh! — Brasil desde o berço abençoado

Pelo Cruzeiro no teu Céu gravado!”