5 DE DEZEMBRO

By Delminda Silveira de Sousa

Faz um ano neste dia

em que a mais funda agonia

minh’alma riste enlutou.

Meu pai! eu via-te extinto...

e do meu viver pressinto

todo o horror que o desolou!

Que lentos, amargos dias!

que horas tristes, sombrias

a sorte me preparava...

Sem esp’ranças, sem conforto,

meu coração semi-morto

de dor, só de dor pulsava!

Lá no remanso funéreo

do sombrio cemitério

teus pobres restos jaziam;

teu nome, em letras saudosas,

era cercado de rosas

e das saudações que abriam.

Li teu nome desta sorte

gravado ali pela Morte,

marcando-te o triste fim,

e o pranto dos meus olhos,

não caiu, qual sobre abrolhos

o doce orvalho... ai de mim?

Ai! não caiu porque, dentro

Do coração bem no centro

Minh’alma triste e sentida

Chorava o pranto cruel

Feito das mágoas, do fel

Que hoje compõem minha vida!