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By Tomás Antônio Gonzaga

Ergue-te, ó Pedra, desde a margem fria,

Que os muros banha à Lusitana Atenas,

Mostra-me as desmaiadas açucenas

Do rosto, que me ocupa a fantasia.

Deixa que eu beije a mão, que pôde um dia

Ceder de amor às lastimosas cenas;

Que entre as ânsias, a dor, a mágoa, as penas

Renove a saudosa idolatria.

Solto do véu mortal, ó Feliz Astro

Une ao cadáver a truncada testa,

Levanta o belo de colo de alabastro:

Uma alma grande junto a ti protesta

Fazer a glória da defunta Castro;

A ilustre neta vês: Maria é esta.