A AMAZIA DÊSTE SUJEITO QUE FIADA NO SEU RESPEITO SE FAZIA SOBERBA, E DESAVERGONH...
Puta Andresona, eu pecador te aviso,
que o que amor te tiver, não terá siso;
tu te finges não ser senão honrada
e nunca vi mentira mais provada:
porque de mui metida, e atrevida
te vieste a sair com ser saída;
mas quando de ti, Puta, não cuidara,
fazeres tais baratos de tal cara!
Esse vaso encharcado, qual Danúbio
dá a crer, que és puta inda antes do dilúvio:
tão velha puta és, que ser podias
Eva das putas, mãe das putarias,
e por puta antiquíssima puderas
dar idade às idades, e era às eras;
e havendo feito putarias artas,
inda hoje dás a crer, que te não fartas.
Entram na tua casa a seus contratos
Frades, Sargentos, Pajens, e Mulatos
porque é tua vileza tão notória,
que entre os homens não achas mais que escória:
a todos esses guapos dás a língua,
e por muito que dês não te faz míngua:
antes és linguaraz, e a mim me espanta,
que dando a todos, tenhas língua tanta.
Mas isso te nasceu, puta Andresona,
de seres puta vil, puta fragona:
que o falar da janela, e da varanda,
só se achará em putas de quitanda.
Cal-te, que a puta grave, qual donzela,
geme na cama e cala na janela:
mete a língua no cu, e havendo míngua
quando deres ao cu darás à língua.
Pois te deixas calar sempre por baixo,
e lá para calar-te tens o encaixe,
cal-te um dia por cima atroadora,
que já se enfada quem na rua mora:
e diz até uma Preta, e mais não erra,
que a ovelha ruim é, a que berra;
cal-te Andresona, que de me aturdires,
tomei eu a ocasião de hoje me ouvires.