A ARTE DA RETÓRICA

By Nicolau Tolentino de Almeida

Arte infeliz, retórica chamada,

Ensino as tuas leis, mas não as creio

Ou nunca ergueste fogo em peito alheio,

Ou tu já hoje estás degenerada:

Da conjunção dos tempos ajudada,

Teu vão poder só dos acasos veio;

Na demanda fatal que em ti pleiteio,

Cícero mesmo não vencera nada.

Quero supor que a minha causa toma;

Veria então que a força dos destinos

Com força de palavras não se doma;

E a língua, que abrandou peitos ferinos,

Que os povos atraiu, que salvou Roma,

Me deixaria mestre de meninos.