A avozinha

By Juvêncio de Araújo Figueredo

A avozinha lá vai pela Praia do Meio,

Sacudindo a cabeça e as ancas sacudindo.

E sacode, por certo, o coração num seio

Ainda muito feliz, ainda em flores se abrindo...

Não receia do corpo o brusco bamboleio,

Vá, embora, de quando em vez ao chão caindo.

É que a domina um nobre e vigoroso anseio,

Apesar da cabeça em neve, reluzindo...

E quando chega a casa e a um canto o xale arruma,

Numa satisfação que a encanta, comovida,

(E nem outra talvez maior glória resuma)

A avozinha depara, alegre e enternecida,

Com dois netos a rir, ambos à espera duma

Bênção de amor, bênção feliz, bênção de vida!