À beira-mar

By Delminda Silveira de Sousa

Como é triste, à beira-mar,

neste silêncio da tarde,

agora que o sol não arde,

como é triste o meu cismar!

Além — um barco a vogar

nas ondas de anil dourado;

aqui, a desabrochar

branco lírio imaculado.

Ouço um suspiro magoado

de junto a fonte que chora...

é a rola que deplora

o seu amor infeliz!

Ai! de tudo o que ela diz,

de tudo — eu tenho chorado

sem ter, jamais, abrandado

as mágoas nesta saudade!...

Doce amor, doce amizade

porque deixastes-me assim,

sem um olhar de piedade,

sem um suspiro?... Ai de mim!

O lírio murcha por fim

se orvalho o Céu não goteja;

lá nesses mares sem fim

se afunda a vela que alveja.

Ai! — minh’alma é como a flor

é como a vela nas águas!

— Também se afunda nas mágoas,

— também se fina — de amor!