A bênção

By Delminda Silveira de Sousa

“Deixai que venham a mim os pequeninos”,

Cristo dizia; e os tenros inocentes

corriam pressurosos, sorridentes,

desta voz aos acordes peregrinos.

E sonorosos, e festivos hinos

de querubins celestiais, contentes,

Jesus escuta nesses tons ridentes

que são da infância os cânticos divinos,

Então, sorrindo, o Santo Nazareno,

levanta o meigo olhar, belo, sereno,

para o azul radiante d’esplendores,

e sobre as loiras cabecinhas traça

a cruz da bênção: — doce cruz da graça

que faz dos prantos um colar de flores!