A borboleta azul

By João da Cruz e Sousa

No alegre sol de então

De uma manhã de amor,

A borboleta solta no fulgor

Da luz, lembrava um leve coração.

Ia e vinha e a voar

Gentil e trêfega, azul,

Sonoramente a percorrer pelo ar,

Como um silfo tenuíssimo e taful.

Sobre os frescos rosais

Pousava débil, sutil,

Doirando tudo de um risonho abril

Feito de beijos e de madrigais.

Que doce embriaguez

O voo assim seguir

Da borboleta azul, correndo, a vir

Do espaço pela Etérea candidez!

Fazendo, tal e qual,

O mesmo giro assim,

O mesmo voo límpido, sem fim,

Nos mundos virgens de qualquer ideal.

Ir como ela também

Em busca das loucas

E tropicais e fulgidas manhãs

Cheias de colibris e sol, além...

Ir com ela na luz

De mundos através,

Sem abrolhos nas mãos, cardos nos pés,

Ó alma, minha, que alegria a flux!...

No alegre sol de então

De uma manhã de amor

A borboleta solta no fulgor

Da luz, lembrava um leve coração.