A BORDO

By Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

Foi um dia um grande vaso

Que num bom dia partiu,

E lá foi lampeiro; e o caso

É que ninguém mais o viu.

Não receia o irado oceano,

Não receia o vento: o mar

Trata-o bem: ele abre o pano

Sempre, sempre a navegar.

Doce é o céu à noite; ao dia

Brando é o vento, doce é o céu...

Parecia, parecia

Que todo o mundo era seu.

Eis em uma pedra — bumba!

Bate o casco... que foi? Mau!...

E em todo o vaso retumba

Esta voz: — “foi num calhau!

Comandante! comandante!

Calma, vamos, toca, atrás!

E ninguém vai p’ra adiante,

E ninguém sabe o que faz.

E o marujo: — “Que me parta

Um raio, se um dia eu vi

Esta pedra aqui na carta!”

— Pudera! Se ela está aqui!...”