A BRAZIA DO CALVARIO OUTRA MULATA MERETRIZ DE QUEM TAMBEM FALLAREMOS, QUE ESTAND...

By Gregório de Matos Guerra

Brásia: que brabo desar!

vós me cortastes o embigo,

mas inda que vosso amigo,

não vos hei de perdoar:

pusestes-vos a cascar,

e invocastes os Lundus;

Jesus, nome deJesus!

quem vos meteu no miolo,

que se enfeitiçava um tolo

mais que co jogo dos cus?

O Fradinho Franciscano

sendo um servo de Jesus,

que lhe dava dos Lundus,

se é mais que os Lundus magano?

tinha ele limpado o cano

quatro vezes da bisarma,

e como nunca desarma

tão robusta artilharia,

dos lundus que lhe daria,

se ele estava co’aquela arma?

Chegados os tais lundus

os viu no vosso acidente,

que se os vê visivelmente

também lhe dera o seu truz:

desamarrados os cus,

porque o Frade desentese,

foi-se ele, pese a quem pese,

e vós assombrada toda,

perdestes a quinta foda,

e talvez que fossem treze.

O melhor deste desar

é, que o Padre, que fodia,

quando o jogo lhe acudia,

vos tocava o alvorar:

vos enforcando no ar

esse como a balravento,

então o Frade violento

entrava como um cavalo,

e o cono com tanto abalo

zurrava como um jumento.

Eu não vi cousa mais vã,

do que o vosso cono bento,

pois com dous dedos de vento

roncava uma Itapoã,

estava agora louçã,

crendo, que salva seria

toda aquela artilharia,

mas vós o desenganastes,

quando o murrão lhe apagastes

com chuva, e com ventania.

Se achais, que vos aniquilo,

porque mais pede inda o caso,

digo, que há no vosso vaso

as catadupas do Nilo:

e se o vaso vos perfilo

com rio tão hediondo;

crede, que o Nilo redondo

com todas as sete bocas

tem ruído, e vozes poucas

à vista do vosso estrondo.

Ninguém se espanta, que vós

venteis com tal trovoada,

porque de mui galicada

tendes no vaso comboz:

é caso aqui entre nós,

que se o membro é uma viga,

em tocando na barriga

uma enche, e outra extravasa,

e vaso, que enche, e vaza,

como de marés se diga.

Tantas faltas padeceis

fora do vaso, e no centro,

que nada ganhais por dentro,

por fora tudo perdeis:

já por isso recorreis

ao demo, a quem vos eu dou,

e tanto vos enganou,

que o Frade o demo sentindo,

dele, (e de vós) foi fugindo,

e co demo vos deixou.

O demo, que é mui manhoso,

veio então a conjurar-vos,

que à força de espeidorrar-vos

veja o mundo um Frei Potroso:

coitado do religioso

corria com reverência,

nos culhões tendo esquinência

de vossa ventosidade,

mas se a casta tira o Frade,

sei, que há de ter paciência.