A BRAZIA DO CALVARIO OUTRA MULATA MERETRIZ DE QUEM TAMBEM FALLAREMOS, QUE ESTAND...
Brásia: que brabo desar!
vós me cortastes o embigo,
mas inda que vosso amigo,
não vos hei de perdoar:
pusestes-vos a cascar,
e invocastes os Lundus;
Jesus, nome deJesus!
quem vos meteu no miolo,
que se enfeitiçava um tolo
mais que co jogo dos cus?
O Fradinho Franciscano
sendo um servo de Jesus,
que lhe dava dos Lundus,
se é mais que os Lundus magano?
tinha ele limpado o cano
quatro vezes da bisarma,
e como nunca desarma
tão robusta artilharia,
dos lundus que lhe daria,
se ele estava co’aquela arma?
Chegados os tais lundus
os viu no vosso acidente,
que se os vê visivelmente
também lhe dera o seu truz:
desamarrados os cus,
porque o Frade desentese,
foi-se ele, pese a quem pese,
e vós assombrada toda,
perdestes a quinta foda,
e talvez que fossem treze.
O melhor deste desar
é, que o Padre, que fodia,
quando o jogo lhe acudia,
vos tocava o alvorar:
vos enforcando no ar
esse como a balravento,
então o Frade violento
entrava como um cavalo,
e o cono com tanto abalo
zurrava como um jumento.
Eu não vi cousa mais vã,
do que o vosso cono bento,
pois com dous dedos de vento
roncava uma Itapoã,
estava agora louçã,
crendo, que salva seria
toda aquela artilharia,
mas vós o desenganastes,
quando o murrão lhe apagastes
com chuva, e com ventania.
Se achais, que vos aniquilo,
porque mais pede inda o caso,
digo, que há no vosso vaso
as catadupas do Nilo:
e se o vaso vos perfilo
com rio tão hediondo;
crede, que o Nilo redondo
com todas as sete bocas
tem ruído, e vozes poucas
à vista do vosso estrondo.
Ninguém se espanta, que vós
venteis com tal trovoada,
porque de mui galicada
tendes no vaso comboz:
é caso aqui entre nós,
que se o membro é uma viga,
em tocando na barriga
uma enche, e outra extravasa,
e vaso, que enche, e vaza,
como de marés se diga.
Tantas faltas padeceis
fora do vaso, e no centro,
que nada ganhais por dentro,
por fora tudo perdeis:
já por isso recorreis
ao demo, a quem vos eu dou,
e tanto vos enganou,
que o Frade o demo sentindo,
dele, (e de vós) foi fugindo,
e co demo vos deixou.
O demo, que é mui manhoso,
veio então a conjurar-vos,
que à força de espeidorrar-vos
veja o mundo um Frei Potroso:
coitado do religioso
corria com reverência,
nos culhões tendo esquinência
de vossa ventosidade,
mas se a casta tira o Frade,
sei, que há de ter paciência.