A CAÍDA DAS FOLHAS (TRAD. DE MILLEVOYE)

By José Joaquim Correia de Almeida

Dos despojos da floresta

O outono a terra juncara;

Era o bosque sem mistério,

E o rouxinol se calara.

Solitário enfermo jovem

Percorria a passo lento

Selva, que na Ieda infância

Dera tanto aprazimento.

“Adeus, bosque, adeus, que eu morro!

Teu dó me prediz a sorte,

E em cada folha que cai

Vejo um presságio de morte.

Triste orác’lo de Epidauro,

Deste a sentença agoureira

Que eu veria as folhas pálidas,

Mas pela vez derradeira.

Eu sucumbo! o frio sopro

Dos Aquilões me tocou;

Como espectro a primavera

De meus dias se passou.

Oh folha efêmera, cai,

Do caminho cobre o trilho,

E oculta à Mãe desolada

Onde jaz o caro filho.

Se ao fugir do sol viera

Carpir-me fiel amante,

Minha sombra despertara

Cheia de alívio um instante!”

Falou, foi-se, e para sempre...

Fatal momento é chegado,

E, três dias decorridos,

Já seu corpo é sepultado.

Porém a amante não veio,

Não veio a amante enlutada

Verter lágrimas saudosas

Sobre a lúgubre morada.

E um pastor daqueles vales,

Que ruidosos passos deu,

Quebra o plácido silêncio

Do funéreo mausoléu.