A CAÍDA DAS FOLHAS (TRAD. DE MILLEVOYE)
Dos despojos da floresta
O outono a terra juncara;
Era o bosque sem mistério,
E o rouxinol se calara.
Solitário enfermo jovem
Percorria a passo lento
Selva, que na Ieda infância
Dera tanto aprazimento.
“Adeus, bosque, adeus, que eu morro!
Teu dó me prediz a sorte,
E em cada folha que cai
Vejo um presságio de morte.
Triste orác’lo de Epidauro,
Deste a sentença agoureira
Que eu veria as folhas pálidas,
Mas pela vez derradeira.
Eu sucumbo! o frio sopro
Dos Aquilões me tocou;
Como espectro a primavera
De meus dias se passou.
Oh folha efêmera, cai,
Do caminho cobre o trilho,
E oculta à Mãe desolada
Onde jaz o caro filho.
Se ao fugir do sol viera
Carpir-me fiel amante,
Minha sombra despertara
Cheia de alívio um instante!”
Falou, foi-se, e para sempre...
Fatal momento é chegado,
E, três dias decorridos,
Já seu corpo é sepultado.
Porém a amante não veio,
Não veio a amante enlutada
Verter lágrimas saudosas
Sobre a lúgubre morada.
E um pastor daqueles vales,
Que ruidosos passos deu,
Quebra o plácido silêncio
Do funéreo mausoléu.