A castanha

By Delminda Silveira de Sousa

De passeio num campo verdejante

Com o seu professor, um escolar

Dizia, preguiçoso, a bocejar:

— O estudo é cousa maçante!

Do que nos serve tanto trabalhar?...

Cala o reitor. Eis, no caminho,

O nosso estudantinho

Uma cápsula avista, bem fechada,

E de temíveis puas toda armada,

Ia estender a mão para apanhá-la,

Quando o sisudo mestre assim lhe fala:

— Meu pobre filho! — não lhe toques... não!

Porém... por que razão!!

— Pois não vês, mil espinhos inclementes

Que punirão teus dedos imprudentes?!

— Essa cápsula, senhor,

Um fruto encerra, um fruto original!

E pode-se tirá-lo sem labor,

Sem os dedos ferir?... Não penses tal!

— Mas p’ra tão belo achado aproveitar,

Vale a pena sofrer, e... trabalhar!

— Sim, filho, sim; e nisto aprende bem

Do estudo a vencer o dissabor

Pois, como essa castanha, ele contém,

— Um fruto de valor!