A CHAMADA DOS EXAMINADOS
No Rio de Janeiro
há perigo em morar no tempo quente,
e dentro de fornalha escandecente
o aluno presta exame de instrução.
Posto que chegue cedo
o Goiano, ou Mineiro, ou Rio-grandense,
preferência nenhuma lhe pertence,
que ofenda o A-b-c, ou B-a-m-bam.
Começam os Alonsos
os Albertos, Ambrósios e Anicetos,
os Álvaros, Anselmos e Anacletos,
e às vezes até entra algum Adão.
Depois os Beneditos,
Bartolomeus e Bentos e Berardos,
Bonifácios, Basílios e Bernardos,
e um ou outro exótico Beltrão.
Entram depois os Carlos,
os Cosmes, os Cristóvãos, os Caetanos,
os Camilos e alguns Coriolanos,
que provas de sabença aí nos dão.
Após vêm os Domingos,
Dilermandos, Davides, Dornicianos,
Demóstenes, e até Dioclecianos,
Diógenes e mais de um Damião.
O pai que tenha filho,
e o velho avô que tenha novo neto,
se nome do princípio do alfabeto
derem à prole, muito acertarão.
Pois o pobre Ximenes,
que veio lá das bandas de Caconde,
na rua do Visconde que foi Conde,
suspira pelos ares do sertão.
E, há meses, da Uberaba,
a custo tendo vindo um Zacarias,
por causa do Z perde regalias,
que aos de A, de B, de C, de D se dão.