A coberta d’alma

By Juvêncio de Araújo Figueredo

— Eis o emotivo fim de uma pequena história:

O Agostinho, ao morrer de febre de sezões,

Disse à pobre mulher: — “Não percas da memória

O que vou te pedir, nas minhas orações.

Se desejas que eu vá para a suprema glória,

Dá a minha coberta ao Paulo dos Lanchões;

E uma vela de cera à Virgem da Vitória,

Prometida num dia inteiro de aflições”.

Mas como o Paulo fosse um mísero sujeito,

E nunca fosse à igreja orar, por tal respeito

Deram toda a coberta ao rapaz das Sabinas.

E está nisso a razão que faz o Paulo, agora,

Errar por essa estiada e pelo mar afora,

Ocultando a nudez na gaze das neblinas.