A CONCHA

By Gustavo de Paula Teixeira

É oriunda do Mar Jônio. Entre as areias de ouro

Da praia, — onde, espumando, a vaga de safira

Guirlandas de corais e algas em feixe atira, —

Achei-a e guardo-a como o avaro o seu tesouro.

Seu murmúrio parece ora o rumor de um choro,

Ora o mesto planger de uma queixosa lira!

Entre as valvas, sangrando, um coração suspira

Pela amplitude azul do equóreo sumidouro...

Ouvindo-a, eu me transporto à líquida morada

Das nereidas, e vejo Anfitrite puxada

Na grande concha irial de fúlgidos matizes;

Vejo delfins, tritões, ninfas de pomas cheias,

E escuto a doce voz das últimas sereias

E o profundo clamor dos nautas infelizes!