A criança e a borboleta
Descambava sol d’estio
Junto a um rio,
Brincava criança linda
perseguindo irrequieta
Borboleta
Que seus volteios não finda.
Pousava agora a falena
Na açucena
Que sobre a margem balança;
Mas logo foge, voando,
Malogrando
Os esforços da criança.
A gentil perseguidora
Quasi chora,
Já cansada de correr;
E a perseguida mimosa
Deixa a rosa,
Vai do lírio o mel beber.
Agora para a criança
Que descansa,
Entre as flores se assentando;
Baixa o voo a borboleta,
Na violeta,
Juntinho dela pousando.
Ofegante, sorridente
De contente,
A criança estende a mão:
Quer prender a borboleta
Irrequieta,
Quer prendê-la, mas... em vão!
Foge ainda a flor alada,
Mas, coitada!
Vê nas águas outra flor;
Voa, pousa à tona d’água...
Oh! que mágoa!.
Oh! meu Deus, que fundo horror!
A criança tudo vira,
Não sorrira,
Não sorriu, que teve dó,
Que a borboleta querida
Perde a vida,
Nas águas lutando — só.
E num impulso animoso,
Generoso,
Lança-se ao rio também,
E junto da borboleta
— Já quieta —
Prendeu-a... prendeu-a bem!
Alva roupa tremulante,
Flutuante
Como a flor do nenúfar,
Ou como uma ave brincando,
Mergulhando,
Começava a se afundar...
Foi acaso ou Providência
Que a inocência
Tão generosa, salvou?...
Quem, nesse instante cruel,
— Um batel
À correnteza soltou?!
Presto, presto o bateleiro
Mui ligeiro
Às águas também se lança;
Foi — acaso, ou Providência
Que a inocência
Protegeu duma criança?...
Na margem — agora aquecida,
Volta à vida
A criança generosa:
Tem na mão fechada,
Bem guardada
A borboleta mimosa!