A DOR

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Chama-se Dor, e quando passa, enluta

E todo mundo que por ela passa

Há de beber a taça da cicuta

E há de beber até o fim da taça!

Há de beber, enxuto o olhar, enxuta

A face, e o travo há de sentir, e a ameaça

Amarga dessa desgraçada fruta

Que é a fruta amargosa da Desgraça!

E quando o mundo todo paralisa

E quando a multidão toda agoniza,

Ela, inda altiva, ela, inda o olhar sereno,

De agonizante multidão rodeada,

Derrama em cada boca envenenada

Mais uma gota do fatal veneno!