À DOR

By Gustavo de Paula Teixeira

Ó Dor, ó velha imperatriz do mundo,

Que a gente arrasta como brônzea carga,

Maldita sejas! Teu olhar profundo

É o pesadelo desta vida amarga!

Foge de mim, fantasma tremebundo!

Arranca-me este espículo da ilharga!

O rosto em vão de lágrimas inundo:

A tua mão de espinhos não me larga!

Por castelos, choupanas e casebres,

Bebendo sangue e produzindo febres,

Passas deixando o rastro nauseabundo.

Os corações te amaldiçoam... Quando

Há de ter fim o teu reinado infando,

Ó Dor, ó velha imperatriz do mundo?