A dor

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Tão doente que estás, ó minha ovelha casta!

E é por isso que os meus olhos, seguidamente,

Vivem roxos de mágoa, em cujo mar se arrasta

Todo o meu coração tão triste e descontente!

E a causa desse mal que o teu corpo devasta

Dizei-me, lindo abril! E vós, água corrente!

E vós, marés de lua! Ah! mas isto não basta:

Pergunto a mim também porque vives doente.

Ah! como tenho na alma um grande sofrimento,

Mais rugidor até que um temporal violento

Que passasse a varrer meu sonho multicor!

Mas, estático fico, ante a idéia sublime

De que na dor tua alma humilde se redime...

Entretanto eu quisera, ó filha, a tua dor!