A. DOS A.

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Não possui o arqueológico arcabouço

Dos megatérios desaparecidos...

São seus dedos magríssimos, compridos,

Tentáculos de um polvo muito moço.

A humanidade atual para ele é um osso

Exposto aos paladares atrevidos...

Ah! Somente a dentuça dos sabidos

Há de roer o quinhão que for mais grosso.

É promotor, há muito tempo, advoga,

Não consente que o mofo lhe encha a toga

Sob a exótica forma de estopim.

E ao cabo disto, tempo ainda lhe resta

Para todas as noites ir à festa

Comer unicamente amendoim.