A ela

By Delminda Silveira de Sousa

Tu, que n’alva da vida me sorrias,

— Fada gentil do meu sonhar de amores,

tu, que nos melancólicos palores

das minhas tardes inda refulgias;

por que agora t’envolves nas sombrias

gazes da noite de tristonhas cores?

Por que teus radiosos esplendores

apagas, quando mais brilhar podias?

Ai! o crepúsculo envolve a tarde bela...

hora dos prantos, hora da saudade

em que o céu chora sobre a flor singela!

Como o sol a morrer na imensidade,

morre o meu estro; vem, oh, minha Estrela,

vem tu brilhar na minha soledade!