A ELEIÇÃO

By Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

José, natural das Ilhas,

Que fala cerrado e grosso,

Disse anteontem para as filhas:

“Votem-me o diavo do almoço!

“Beijam se andam mais depressa!

“Bamos! preciso cumer,

“Porque a eleição já cumeça;

“Quero cumprir meu deber!”

A amasia dele, mulata,

Acode: “Que é, seu Zezinho?

“Jesus! este home me mata...

“Porque é que sai tão cedinho?!”

E o Zé, palpando a barriga:

“Tenho pressa d’almuçar!

“Saiva bocê, rapariga,

“Que o seu home bai botar!”

E ela: “Você botar? iche!...

“Seu Zezinho, tome nota!

“Não caia n’algum espiche:

“Há tanto tempo não bota!...”