A Ermida

By João da Cruz e Sousa

Lá onde a calma e a placidez existe,

Sobre as colinas que o vergel encobre,

Aquela ermida como está tão pobre,

Aquela ermida como está tão triste.

A minha musa, sem falar, assiste,

Do meio-dia ante o aspecto nobre,

O vago, estranho e murmurante dobre

Daquela ermida que aos trovões resiste

E as gargalhadas funéreas, sombrias,

Dos crus invernos e das ventanias,

Do temporal desolador e forte.

Daquela triste esbranquiçada ermida,

Que me recorda, me parece a vida

Jogada às magoas e ilusões da sorte.