A ESCRAVIDÃO

By José Joaquim Correia de Almeida

Ouve-me, escuta,

Senhor injusto;

O que te digo

É reto e justo.

Com que direito

Tens teu irmão

Em odiosa

Escravidão?

A lei divina

E a natural

Não o fizeram

Em tudo igual?

Tu não ignoras,

Homem feroz;

Fazes-te surdo

À austera voz.

Da consciência

Que reprovando

O crime horrendo

Te está falando.

Ao descendente

Do mesmo Adão,

Ímpio forjaste

Duro grilhão.

Se o consanguíneo

Assim flagelas,

Santos preceitos

Tu atropelas.

Insuportável

Ultraje, agravo,

Do homem livre

Fazer-se escravo!

Teme a justiça

Do foro eterno

— Aos bons a Glória;

Aos maus, o inferno —.