A ESMOLA DE DULCE

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

E todo o dia eu vou como um perdido

De dor, por entre a dolorosa estrada,

Pedir a Dulce, a minha bem-amada,

A esmola dum carinho apetecido.

E ela fita-me, o olhar enlanguescido,

E eu balbucio trêmula balada:

— Senhora dai-me u’a esmola — e estertorada

A minha voz soluça num gemido.

Morre-me a voz, e eu gemo o último harpejo,

Estendo à Dulce a mão, a fé perdida,

E dos lábios de Dulce cai um beijo.

Depois, como este beijo me consola!

Bendita seja a Dulce! A minha vida

Estava unicamente nessa esmola.