A esperança

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Tarde. Vento geral. De velas enfunadas,

O brigue Santa Rosa abre no chão das vagas

Longos sulcos azuis, de onde brotam nevadas

Rosas brancas, de espuma, a resplender nas fragas.

Por semanas a fio, as céleres rajadas

Do sul hão de levá-lo a sonhadoras plagas,

Sob dias de sol e noites estreladas,

Sem as ânsias cruéis das horas aziagas.

Mas, quem vai para o mar, quem da praia se afasta,

Embora peito afoito, um sentimento arrasta:

Leva no coração uns gritos de ansiedade...

E os que ficam na praia? Os que na praia ficam

Choram... Mas, afinal, na dor se purificam...

É que a esperança mora onde mora a saudade.