A estátua da mágoa

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Era a Estátua da Mágoa essa linda criatura,

Transfigurada assim numa dor eternal,

Do rochedo fitava a infinita planura

Do mar que se estendia em flores de rosal.

Aninhando no peito a triste noite escura

De uma notícia atroz, para sempre fatal,

Continuava Leonor na mesma compostura,

Como se a inanimasse a atra sombra do mal.

Nutria n’alma aflita assíduo pensamento:

“Há de acalmar o mar... há de acalmar o vento...

O meu filho é o melhor tanoeiro do lugar.”

Mas o filho não veio. As ondas o tragaram.

Ai! quantos corações junto ao dela choraram!

Só não chorou o vento e não chorou o mar!