À Ester

By Delminda Silveira de Sousa

Lanças o olhar repleto de ternura

ao jardim do teu lar — horto de amores,

e no grupo das tuas lindas flores

uma flor teu olhar em vão procura.

Então desce-te o orvalho d’amargura

pelas rosas das faces já sem cores,

e uma saudade cheia de amargores,

punge-te a alma carinhosa e pura.

Chora o teu coração, — mãe extremosa,

porque o da meiga filha, graciosa,

junto dele não mais palpitará.

Porém... lembra-te, Ester, que lá do Céu,

da Mater Dolorosa sob o véu,

um anjo te sorri: — é Dinorá!