A flor das águas

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Noite de junho. O gelo é vidro em pó, roçando

As mãos e os pés dos que, distendidos na areia,

Tranquilamente estão o café esperando,

E esperando a tainha assada para a ceia.

Outros, de uma canoa as velas vão soltando,

Sem perda de um momento, à luz da lua cheia,

Que tão aziaga está... E as ondas vão rolando...

E cada pescador, nessa labuta, anseia...

Correm todos ao mar, satisfeitos, felizes,

Sem nutrirem do mal as trágicas raízes,

Apenas da saudade envolvidos nas mágoas.

E que funda saudade, a dessas almas francas,

Sob as velas em cruz, as grandes velas brancas,

Da canoa que lembra uma ave à flor das águas...