[A fonte]

By João da Cruz e Sousa

A fonte de águas cristalinas corre

Chamalotes de prata levantando,

E através de arvoredos murmurando,

Entre arvoredos murmurando morre...

No ocaso, o sol, a luz no oceano escorre

E sempre vejo, as sombras afrontando,

Uma mulher que canta e ri, lavando,

Mesmo que o sol muito abrasado jorre.

É verde o campo, deleitável e ermo.

Pássaros cortam vastidões sem termo,

Borboletas azuis roçam nas águas.

E cantando, a mulher, a rir a face,

Lava cantando como se lavasse

As suas grandes e profundas mágoas.