A freira morta

By João da Cruz e Sousa

Muda, espectral, entrando as arcarias

Da cripta onde ela jaz eternamente

No austero claustro silencioso — a gente

Desce com as impressões das cinzas frias...

Pelas negras abóbadas sombrias

Donde pende uma lâmpada fulgente,

Por entre a frouxa luz triste e dormente

Sobem do claustro as sacras sinfonias.

Uma paz de sepulcro após se estende...

E no luar da lâmpada que pende

Brilham clarões de amores condenados...

Como que vem do túmulo da morta

Um gemido de dor que os ares corta,

Atravessando os mármores sagrados!