A HUM CABRA DA INDIA QUE SE AGARRAVA À ESTA MARTHA VIVENDO DE ENGANAR POR FEYTIC...

By Gregório de Matos Guerra

Veio da infernal masmorra

um cabra, que tudo cura,

às Mulatas dá ventura,

aos homens aumenta a porra:

acudiu toda a cachorra

e tratar do seu conchego,

e o cabra pelo pespego,

tanto a todos melhorou,

que aos amigos lhes deixou

as porras com seu refego.

Tanto cada qual se estira

nos refegos, que trazia,

que nos canos parecia

óculo de longa mira:

porém a mim não me admira,

que esta, e aquela putinha

desse a saia, e a vasquinha

pela cura, e pelo enredo,

senão que rompa o segredo

para perder a mezinha.

O Cura soube da cura,

e ao céu levantando as palmas

disse, que em curar as almas

ele somente era o Cura:

e porque de acusar jura

ao cabra das pataratas,

e em consequência às Mulatas,

elas ao Cura temeram,

e como a cura perderam,

ficaram muito malatas.

Sobre isto houve matinadas,

fostes vós, e não fui eu,

o cabra a vida perdeu,

e elas estão mal curadas:

as porras acrescentadas

estão na sua medida,

a meizinha está perdida,

o dinheiro se gastou,

e porque Chica falou,

anda de medo fugida.

Houve grande desafio

do sítio para a Catala,

na Antonica não se fala,

que enfim foi Moça de brio:

viu-se pendente de um fio

quase a Cajaíba toda,

e o que a mim mais me acomoda,

é, que vão durando as rinhas,

e arranhem-se as Mulatinhas

sobre a questão de uma foda.

A Custódia, e Antonica

se matam, porque se invejam,

sobre mais, ou menos pica:

o que a medicina aplica

ao mal da fodengaria

é, que a cada uma o seu dia

se dê para pespegar,

porque saibam conjugar

tu fodias, e eu fodia.