A HUMA DAMA, QUE MANDANDO-A O POETA SOLICITAR LHE MANDOU DIZER QUE ESTAVA MENSTR...
O teu hóspede, Catita,
foi mui atrevido em vir
a tempo, que eu hei mister
o aposento para mim.
Não vou topar-me com ele,
porque havemos de renhir,
e há de haver por força sangue,
porque é grande espadachim.
Tu logo trata de pôr
fora do teu camarim
um hóspede caminheiro
que anda sempre a ir, e vir.
Um hóspede impertinente
de mau sangue, vilão ruim:
por mais que Cardeal seja
vestido de carmesim.
Despeje o hóspede a casa,
pois lhe não custa um ceitil,
e a ocupa de ordinário
sem pagar maravedi.
Não tenhas hóspede em casa
tão asqueroso, tão vil,
que até os que mais te querem
fujam por força de ti.
Um hóspede aluado,
e sujeito a frenesis,
que em sendo quarto de lua
de fina força há de vir.
Que diabo há de sofrê-lo,
se vem com tão sujo ardil,
a fazer disciplinante,
quem foi sempre um serafim?
Acaso o teu passarinho
é pelicano serril,
que esteja vertendo sangue
para os filhos, que eu não fiz?
Vá-se o mês, e venha o dia,
em que eu te vá entupir
essas cruéis lancetadas
com lanceta mais sutil.
Deixa já de ensanguentar-te,
porque os pecados que eu fiz,
não é bem, que pague em sangue
o teu pássaro por mim.