A HUMA DAMA QUE MANDANDO-SE COSSAR EM HUM BRAÇO PELO SEU MOLEQUE, E SENTINDO, QU...
Corre por aqui uma voz,
e vem a ser o motivo,
Sílvia, que o vosso cativo
se levantou para vós:
o caso é torpe, e atroz,
e quis, que a fama corresse
só para que se estendesse
pelo vosso braço, e mão,
que junto ao fogo o carvão
era força, se acendesse.
Vós mandastes, que o moleque
vos fosse o braço coçar,
e ele quis vos esfregar
mais que o braço, o sarambeque:
procedeu bem o alfaqueque,
se bem nisso se repara,
e eu o mesmo intentara,
se me vira nesses passos,
que isto de chegar a braços,
bem sabeis vós, no que pára.
Vós estendestes a mão,
e chegando-lha a barguilha
entre virilha, e virilha
topastes um camarão:
ia entrando no tesão
o coitado do negrete,
e porque vós em falsete
tal grito lhe levantastes,
como o fogo lhe afastastes,
apagou-se-lhe o pivete.
Se outra vez vos der a tosse
de coçar a comichão,
não chameis o negro não,
coçai-vos, com que vos coce:
e se estais já sobre posse,
ou vos não podeis mexer,
deixai a sarna a comer,
pois bem sabeis, que há de andar
atrás do comer coçar,
e atrás do coçar foder.