A HUMA DAMA QUE MANDANDO-SE COSSAR EM HUM BRAÇO PELO SEU MOLEQUE, E SENTINDO, QU...

By Gregório de Matos Guerra

Corre por aqui uma voz,

e vem a ser o motivo,

Sílvia, que o vosso cativo

se levantou para vós:

o caso é torpe, e atroz,

e quis, que a fama corresse

só para que se estendesse

pelo vosso braço, e mão,

que junto ao fogo o carvão

era força, se acendesse.

Vós mandastes, que o moleque

vos fosse o braço coçar,

e ele quis vos esfregar

mais que o braço, o sarambeque:

procedeu bem o alfaqueque,

se bem nisso se repara,

e eu o mesmo intentara,

se me vira nesses passos,

que isto de chegar a braços,

bem sabeis vós, no que pára.

Vós estendestes a mão,

e chegando-lha a barguilha

entre virilha, e virilha

topastes um camarão:

ia entrando no tesão

o coitado do negrete,

e porque vós em falsete

tal grito lhe levantastes,

como o fogo lhe afastastes,

apagou-se-lhe o pivete.

Se outra vez vos der a tosse

de coçar a comichão,

não chameis o negro não,

coçai-vos, com que vos coce:

e se estais já sobre posse,

ou vos não podeis mexer,

deixai a sarna a comer,

pois bem sabeis, que há de andar

atrás do comer coçar,

e atrás do coçar foder.