A HUMA DAMA QUE TINHA UM CRAVO NA BOCCA.

By Gregório de Matos Guerra

Vossa boca para mim

não necessita de cravo,

que o sentirá por agravo

boca de tanto carmim:

o cravo, meu serafim,

(se o pensamento bem toca)

com ele fizera troca:

mas, meu bem, não aceiteis,

porque melhor pareceis,

não tendo o cravo na boca.

Quanto mais que é escusado

na boca o cravo: porque

prefere, como se vê

na cor todo o nacarado:

o mais subido encarnado

é de vossa boca escravo:

não vos fez nenhum agravo

ele de vos dar querela,

que menina, que é tão bela,

sempre tem boca de cravo.