A HUMA MENINA FILHA DO MESMO GONÇALLO DIAS, A CUJA DISPOSIÇÃO FICÁRAM SEUS PAYS ...
Passei pela Ilha Grande,
Onde vi Senhora Cota
tão formosa, que ensinava
as flores a ser formosas.
Tão galharda, e tão luzida,
que ensinava em sua escola
as luzes a ser estrelas,
os astros a ser auroras.
A ser sol o mesmo sol
ensina a boa da Moça,
e quer por bem assombrada,
que o sol luza a sua sombra.
Quis Deus, que fui de passagem,
que fui (digo) ida por volta,
saltei para voltar logo,
que aliás raios vão fora.
Raios vão fora, que saem
os raios de Maricota
a ser vida das discretas,
a ser alma das formosas.
Ela me hospedou então,
corri pela sua conta,
que o Pai não disse palavra,
e a Mãe não pôs mãos em cousa.
Deu-me a rapariga uns sonhos
tão ricos como ela própria,
sonhava em me regalar:
não foi mentira, o que sonha.
Visitou-me sua Avó,
que é mui honrada pessoa,
fez-me mil honras por certo,
só quem tem honra, dá honra.
Assim o façam meus Filhos,
como então o fez Macota,
governo como cem velhas,
presteza como mil moças.
Queira Deus, minha Menina,
queira Deus, Senhora Cota,
que eu dure por tantos anos,
que inda assista a vossas bodas.
Hei de alegrar-me de sorte,
e fazer tanta galhofa,
que os que à vossa boda assistam,
me tenham por sal da boda.
Vós mereceis, que vos casem
com um Príncipe de Europa,
porque tendes tão bom dote
na cara, como na roupa.
Tende-me na vossa graça,
e tereis em minhas coplas,
se não um grande serviço,
esta pequena lisonja.