À IMPERTINÊNCIA OS SINOS DE VILA VIÇOSA

By Nicolau Tolentino de Almeida

Que importa, ó torre, que dos céus beninos

Chegue o dia a partirmos destinado,

Se um milhão de cabeças tem quebrado

O ingrato som de teus teimosos sinos?

Entre os males que os bárbaros destinos

Para os nossos ouvidos tem criado,

Pior que ir-vos ouvir, só tenho achado

Ir ouvir as lições dos meus meninos:

Não posso fazer mal senão co’a pena;

Se pudesse, apontara um tiro rudo,

E fizera o que fez o Carracena:

Sinos cruéis, vós fazeis raiva em tudo,

Dobrando, repicando; e enfim é pena

Que não toqueis também a entrar no estudo.