À IMPERTINÊNCIA OS SINOS DE VILA VIÇOSA
Que importa, ó torre, que dos céus beninos
Chegue o dia a partirmos destinado,
Se um milhão de cabeças tem quebrado
O ingrato som de teus teimosos sinos?
Entre os males que os bárbaros destinos
Para os nossos ouvidos tem criado,
Pior que ir-vos ouvir, só tenho achado
Ir ouvir as lições dos meus meninos:
Não posso fazer mal senão co’a pena;
Se pudesse, apontara um tiro rudo,
E fizera o que fez o Carracena:
Sinos cruéis, vós fazeis raiva em tudo,
Dobrando, repicando; e enfim é pena
Que não toqueis também a entrar no estudo.