À INAUGURAÇÃO DA ESTÁTUA EQUESTRE DE EL-REI D. JOSÉ I

By Nicolau Tolentino de Almeida

Enquanto o reino cheio de ternura

Ao grande benfeitor te há consagrado,

E respeita aos teus pés ajoelhado

O rei augusto de quem és figura:

Enquanto os que me vencem em ventura

Abrindo o antigo cofre chapeado,

Mandam de prata e d’oiro recamado

Entretecer a rica vestidura:

Eu que não tenho d’esta louçania,

De outra sem pejo sairei composto,

Que não cede à mais fina pedraria.

São terníssimas lágrimas de gosto:

Nem infama o triunfo deste dia

Quem põe por gala o coração no rosto.