A JOÃO PLZ. DA CAMARA COUTINHO FILHO DO MESMO GOVERNADOR TOMANDO POSSE DE HUMA GINETA EM DIA DE S. JOÃO BAPTISTA, E LHE ASSISTIO DE SARGENTO D. JOÃO DE LANCASTRO SEU THIO VINDO DO GOVERNO DE ANGOLLA.

By Gregório de Matos Guerra

No culto, que a terra dava,

equivocava-se a vista,

se celebrava o Batista,

se ao Coutinho festejava:

um e outro João estava

arrojando à sua planta

tanto aplauso, e festa tanta:

mas viu-se, que ao mesmo dia,

em que o Batista caía,

o Coutinho se levanta.

Viu-se, que um João Batista

na terça-feira caíra,

e que outro João subira

a imperar esta conquista:

mas não se enganou a vista

por desacerto, ou desgraça,

antes com divina traça

se notou, e se advertiu,

que se um com graça caiu,

outro nos caiu em graça.

Braba ocorrência se achou

no martirológio então,

o dia era de um João,

e outro João lhe levou:

toda a cidade assentou

por razão, se por carinho

ser mais acerto, e alinho

preferir entre dous grandes

como um Silva a um Fernandes

a um Batista um Coutinho.

Mais ocorrências se leram,

porque pasmasse a Bahia,

dous num dia há cada dia,

mas três nunca concorreram:

três de um nome então vieram,

e qual mais para aplaudido,

e assim confuso, e sentido

ficou com tão nova traça

restaurada a nossa Praça

e o Calendário aturdido.

Se de um só João no dia

se abalava a cristandade,

por três de tal qualidade

quem se não abalaria!

tudo quanto então se via,

se via com grande abalo,

um mar de fogo a cavalo,

a pé um Etna de flores,

e por ver tantos primores

o Céu dava tanto estalo.

A ver o grande Alencastro

quem não fez do aperto graça:

se saiu o sol à praça

fazer praça a tanto Astro?

o bronze pois, e alabastro

por solenizar a glória

consentirão, que esta história

fique por mais segurança

nos arquivos da lembrança

nos volumes da memória.