A lua

By Juvêncio de Araújo Figueredo

A lua será mesmo um sacrário adorado,

Com portas de marfim, cheio de álacres festas

Da Eucaristia, para as almas sãs, modestas,

Para as que rezam sob o Pálio Constelado?

E essas almas irão, num desejo inflamado

Como águias imortais a essas plagas, que arestas

De luz banham, num Céu transformado em florestas,

Onde em Jordãos de Amor, o sonho é batizado?

Quantas vezes, porém, a branca lua assiste

Indiferentemente à tragédia mais triste,

Cobrindo de desdém as almas torturadas!

Sobre as ondas do mar evoquei-a, chorando...

E, nessa noite, a lua era um barco viajando,

Transbordante o porão de trágicas ossadas...