A LUIZA ÇAPATA QUERENDO, QUE O AMIGO LHE DESSE QUATRO INVESTIDAS DUAS DE DIA, E ...
Uma com outra são duas
pela minha tabuada,
e vós, Mulata esfaimada,
quereis duas vezes duas:
se isso vos dera por luas,
e o quiséreis cada mês,
dera-vos três vezes três;
mas quatro entre dia, e noite,
dar-vos-ei eu tanto açoite,
que farão dez vezes dez.
Pois, Puta, essa vossa crica
tão gulosa é de rescaldos,
que cuidais que os nossos caldos
os compramos na botica?
o caldo não multiplica,
quando entre quatro virilhas
se liquida em escumilhas,
e vós a lavadas mãos
quereis um caldo de grãos,
por um caldo de lentilhas?
É o caldo uma quinta-essência,
e tal, que uma gota fria
produz uma Senhoria,
e talvez uma Excelência:
se tendes dele carência,
e por fartar a vontade
o quereis em quantidade,
não trateis não de esgotar
os culhões de um secular,
ide à barguilha de um Frade.
Puta, se a vossa Ração
hão de ser quatro à porfia,
dormi com quatro em um dia,
e quatro se vos darão:
mas tirá-las de um Cristão,
que apenas janta, e não ceia,
e não dará foda, e meia,
isso é mais que crueldade,
e mais tendo vós um Frade,
que é gato que nunca mea.
Mudai pois os pensamentos,
e se não heis de quietar
com uma do secular,
ide servir aos conventos:
que os leigos já macilentos,
esvaídos, e esgotados
com um mês de amancebados
cobram tão grande fastio,
que já pagam de vazio
dois mil vasos alugados.
No Filho do Caldeireiro
tendes emprego adequado,
pois aos malhos ensinado
fode com um malhadeiro:
se no vale, ou se no oiteiro
lhe dais a mama, e o peito,
e achais, que é moço de jeito,
na parte do olhinho morto
tendes razão, pois é torto,
mas tem o membro direito.