A madona

By Delminda Silveira de Sousa

A cabeça inclinada, as mãos divinas

— lírios nevados — sobre o peito esquece,

d’olhos fitos no Céu, a cor, parece,

daquele azul brincar-lhe nas retinas.

Sob o cândido véu de gases finas

outro mais rico e belo transparece

qu’em ondas d’ouro pelo flanco desce

até beijar-lhe as plantas pequeninas.

D’estrelas semicírculo brilhante,

— as Sete Dores que sofrera outrora, —

forma-lhe agora a cr’oa radiante,

E em torno ao doce vulto da Senhora,

brilha celeste luz, qual no Levante

o despontar de meiga linda aurora!