A MANUEL ROIZ DE FIGUEYREDO, QUE SENDO REQUERENTE SE POZ COM PRESUNÇÕES DE LETRA...
Letrado, que cachimbais,
quando estudais nos Jasões
e assentais as conclusões
com as letras garrafais:
grande riso me causais,
quando no vosso cetial
dais audiência geral,
e as Partes aconselhando,
todas ides defumando
porque tornem ao pombal.
Vós graduado a borrões
em uma universidade
que fundou nesta cidade
o braço dos asneirões:
fazeis tais alegações
nas lides, causas, e pleitos,
que vos dão alguns sujeitos,
que afirmam letrados velhos
fedem os vossos conselhos
tanto, como vossos feitos.
O que me vira o miolo
é o gabão, que trazeis,
que um Bártolo pareceis,
não sendo senão Bartolo:
comeis a queijada, e o bolo
desde a Baia ao Cairu;
eu vos peço, meu Mandu,
que se usais das vossas artes,
comendo das vossas partes,
que a primeira seja o cu.
Não vos culpo, asno barbado,
senão a esta simples gente,
que de um tão mau requerente
quer formar um bom letrado:
vós pondes todo o cuidado
em manter a vida cara,
e assim eu vos não culpara,
senão ao néscio, que quer
comprar-vos o parecer,
tendo vós tão torpe cara.
Irmão, não vos acelere
querer subir de repente,
que o cargo de requerente
vosso talento o requere:
assim o céu vos prospere,
que da vocacia honrada
torneis à vida passada,
que quem se entrega aos Jasões
comer pode os camarões
que comeu o Cutilada.
Não é o advogar de nós,
Santos são, os advogados,
dai ao demo os maus letrados,
e o primeiro sejais vós:
bem vistes o caso atroz,
que depois de Ave-Marias
sucedeu, há quatro dias,
ardendo os vossos papéis,
porque vós, e eles ardeis
pelas vossas heresias.