À meia-noite

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Tudo, ao soar das doze badaladas,

Tudo emudece: — o mar, o campo, o rio...

Ficam, na noite, as árvores, caladas;

Nem há no espaço um leve murmúrio.

Unidas ficam as aves, sossegadas.

Como se houvesse um formidável frio!

E as almas ficam como que apagadas,

Num sentimento trágico e sombrio.

É meia-noite! O espírito das cousas

Dorme na densa solidão das lousas,

Dorme sinistramente, no momento

Em que por sobre o mundo nos parece

Descer, como de fato, desce... desce...

Dos céus um fundo e amargo esquecimento.