À memória de Lili Silva

By Delminda Silveira de Sousa

Sopro hiemal da morte despiedada,

porque d’ástea cortaste a flor mimosa,

tão nova e bela assim, tão graciosa,

da primavera na manhã doirada?

Ao vê-la aqui, pendida, desmaiada,

mais branca que a açucena melindrosa,

e dos lábios extinta a fresca rosa,

e a luz dos meigos olhos apagada:

Meu Deus! meu Deus! — que dor acerba, intensa,

o coração de mágoas nos traspassa,

a alma nos envolve em treva densa!...

Mas, lá no Céu, Lili, cheia de graça,

das virgens do Senhor na turba imensa,

quão formosa e gentil sorrindo passa!