À memória de meu tio

By Delminda Silveira de Sousa

Já para a chão seu corpo se acurvava

a começar a última jornada,

e nos sonhos só via a terra amada,

e — nela só — de dia meditava.

É que o lar querido inda assentava

sobre ela: e na plácida morada,

inda ele tinha uma alma devotada,

um coração — por ele — inda pulsava.

A cara irmã! — a meiga companheira

da sua infância; a sócia em suas dores

que ele não vê na hora derradeira...

Mas, abriu-se-lhe o Céu: e, entre fulgores,

a Fé, que o alentara a vida inteira,

mostra-lhe a paz, dos Céus nos esplendores!