A minha alma

By Juvêncio de Araújo Figueredo

O céu tomara a cor magoada das violetas...

Era de tarde. A luz do sol, entre as folhagens

Das árvores tremia... Em bando, as borboletas

Punham na água do rio esplêndidas miragens.

E o mar tranquilo estava, abrindo-se em palhetas

De esmeraldas e prata, ao pincel das aragens.

Tinham todo o rumor de alegres pandeiretas

As gaivotas pelo ar, prontas para as viagens.

A praia parecia uma lua em minguante,

Enorme, colossal, de ponta a ponta. Adiante,

Sobre as telhas de um rancho, um canário cantava.

E Maria me disse, à porta, sorridente:

— Vinhas tão longe ainda e eu te cuidava rente...

A tua alma a cantar perto de mim se achava!