A minha alma
O céu tomara a cor magoada das violetas...
Era de tarde. A luz do sol, entre as folhagens
Das árvores tremia... Em bando, as borboletas
Punham na água do rio esplêndidas miragens.
E o mar tranquilo estava, abrindo-se em palhetas
De esmeraldas e prata, ao pincel das aragens.
Tinham todo o rumor de alegres pandeiretas
As gaivotas pelo ar, prontas para as viagens.
A praia parecia uma lua em minguante,
Enorme, colossal, de ponta a ponta. Adiante,
Sobre as telhas de um rancho, um canário cantava.
E Maria me disse, à porta, sorridente:
— Vinhas tão longe ainda e eu te cuidava rente...
A tua alma a cantar perto de mim se achava!